Escolha a tinta e garanta que a cor da lata é a que você quer na parede

  • Teste a tinta em casa e observe o comportamento da cor durante o dia e à noite

Escolher a cor para pintar a parede de casa não é tarefa fácil, ainda mais diante da infinidade de tons oferecidos pelas fabricantes. Mas tão ou mais complicado do que eleger o azul ou o amarelo é acertar o tom desejado, pois a cor “na parede” – especialmente após a secagem – nem sempre é idêntica à da lata ou do catálogo.

Em uma pesquisa junto aos principais sites de reclamação de consumidores, não é difícil encontrar pessoas frustradas com as tintas escolhidas, pois “em casa” o material aparenta tom diferente do apresentado na paleta de venda.
“Quando decidi colorir uma das paredes do meu quarto, escolhi um azul que, na lata, parecia suave e sóbrio. Mas, após duas demãos, o que consegui foi uma parede azul vibrante”, lamenta a designer Adriana Leal. Para não ter que pagar uma nova empreita para o pintor, Leal conviveu com a cor “de adolescente”  indesejada por mais de um ano.
São vários os fatores que interferem na percepção que se tem de uma superfície colorida. O primeiro deles é a iluminação, seja ela natural ou artificial. A quantidade e a temperatura de cor da luz incidente (mais fria ou mais quente) são capazes de gerar grandes distorções. Diferenças podem ser notadas, ainda, quando se compara o resultado de uma mesma tinta aplicada em uma fachada e em um ambiente interno.
Além da iluminação, a decoração do ambiente impacta o modo como visualizamos uma cor. Por exemplo, um mesmo tom de vermelho parecerá diferente quando introduzido em uma sala “clean”, com móveis claros e superfícies de vidro e metal, e em uma sala com muita madeira e tecidos pesados.
É muito comum que, ao ver a cor na lata ou no catálogo, o consumidor não consiga ter ideia de como ela ficará quando aplicada à parede de sua casa. Além disso, a iluminação da loja costuma ser bastante distinta da de uma residência, o que ajuda a gerar essas variações.
“Para piorar, os mostruários impressos e virtuais fornecidos pelos fabricantes já apresentam distorções de cor em relação à tinta encontrada na embalagem”, comenta o arquiteto Luís Nishi. Ele lembra que tintas de linha (encontradas prontas) tendem a apresentar menos variabilidade de tons em relação àquelas que são personalizadas e misturadas sob demanda do cliente.
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A preparação da parede é tão importante quanto a aplicação da tinta para que o resultado final da pintura seja de qualidade. O pintor Jorge de Oliveira ensina como realizar os acertos na superfície. Atenção! Para evitar sujeira, antes de iniciar qualquer trabalho, convém forrar o chão Leonardo Soares de Souza/UOL
Boas práticas de aplicação
Gisele Bonfim, gerente técnica e de assuntos ambientais da Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas), explica que a cor prévia e o material que compõe a superfície original também podem influenciar a nossa percepção da cor de uma parede.
Um matiz aplicado em uma parede lisa tende a ser percebido de forma distinta de quando colore uma com acabamento mais rugoso. Da mesma forma, superfícies com graus de absorção diferentes podem causar desigualdade de tons. Por isso a importância de nivelar, previamente, toda a área de pintura com massa corrida.
A quantidade de demãos e a diluição da tinta também alteram a percepção da cor, por isso sempre há a recomendação para que a aplicação siga à risca as instruções dadas pela fabricante na embalagem do produto.
Segundo Bonfim, o tipo de tinta utilizado (látex acrílico, látex PVA, textura, esmalte), porém, não exerce interferências marcantes na percepção dos tons. O mesmo não se pode dizer em relação ao tipo de acabamento: de modo geral, um matiz na versão acetinada e semibrilho parece mais claro do que na versão fosca, ao ser transferido da embalagem para a superfície.

A mesma tinta pode gerar efeitos distintos quando aplicada em paredes com textura ou em superfícies lisas, por isso, teste

Atrás do tom certo

A mistura de tinta branca com corantes pelo próprio consumidor ou pelo pintor é uma alternativa muito recorrente por quem busca o tom perfeito. Mas trata-se de um processo trabalhoso e que, nem sempre, leva ao resultado desejado.
“Desenvolver uma cor não é um processo artesanal. Por trás da fórmula de cada matiz, há especialistas, que conhecem as características de cada pigmento e as reações químicas que cada elemento adicionado provoca”, afirma Bonfim. Para quem, mesmo assim, quer se aventurar em misturar tintas e pigmentos, temos duas dicas: anote as proporções utilizadas, caso seja necessário repetir a fórmula para retoques posteriores, e só aplique a “misturinha” em áreas pequenas.
Sem dor de cabeça
Para evitar decepções e perda de dinheiro, a recomendação é sempre realizar um teste em um pequeno pedaço da parede para checar se o tom agrada. A análise da cor deve ser feita sob as condições de luz do espaço, tanto durante o dia, como a noite. E, para facilitar os testes e evitar desperdício de material e investimento, adquira embalagens de tintas menores, com apenas 250 ml.
O arquiteto Luís Nishi reforça que as tintas preparadas sob demanda, na loja, podem sofrer variações em função do ajuste da máquina tintométrica. Por isso, atente-se: tente calcular a quantidade de tinta necessária e realize uma única compra, sempre após testar a cor. Caso a quantidade seja insuficiente, procure fazer a segunda aquisição na mesma loja onde foram feitos os testes e a primeira solicitação, preferencialmente, em datas não muito distantes.
http://mulher.uol.com.br/casa-e-decoracao/noticias/redacao/2015/05/19/escolha-a-tinta-e-garanta-que-a-cor-da-lata-e-a-que-voce-quer-na-parede.htm
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